Quando a primavera te descobre
Deitada na relva a olhar o céu
Com os lábios ainda rubros, inflamados,
Ainda sensível na lembrança ardente,
Do que te chama?
Que nome ela te dá ao ver-te
Já a sós,
Recuperando aos poucos a leveza,
Entregando ao azul celeste
A grata contemplação dos teus olhos de esmeralda,
De esmeralda cristalina, apaixonada?
A tua trança desfeita,
O teu sorriso, o colo deixando de ofegar,
A pele clara e emocionada dos braços, das pernas
Que escapam ao vestido,
denúncias do amor recente,
Que nome têm
Quando nesse momento
A primavera necessita ardentemente
Falar de ti?

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