Tua presença me tirou dos sonhos,
Buscou-me das montanhas verdejantes,
Dos vales e dos bosques.
Sugou-me das cachoeiras e dos riachos,
Das praias e das nuvens.
Me despedi de penhascos e das flores campestres,
Dos extensos lagos desertos,
Dos álamos alaranjados.
Deixei de banhar-me nas águas límpidas e calmas.
Deixei de ficar à sombra em gramados,
De observar os pássaros,
O pôr do sol e a alvorada.
Deixei de sentir o vento e a lua.
Pois tua presença me chamou para o idílio.
Agora que estás próxima
E ao alcance do meu desejo
Tento imaginar como se comportará
Tua elegância
Durante a nudez exposta à carícia da meia luz.
Que face terá tua delicadeza
Embaixo da cumplicidade do lençol?
Como irá se traduzir teu modo de andar
Envolto pela seda atraente?
Serás a mesma, meu amor?
Em alguma carícia estarão as tuas crenças, a tua fé, tua esperança?
Tua ética, teus valores, estarão em alguma carícia?
Em que se transformará a luz dos teus olhos
E o que virão a ser os teus sorrisos,
Os teus olhares, os teus cabelos
Quando o luar através da janela
Iluminar magicamente o quarto?
Como estarás no teu beijo, no teu toque,
No teu ritmo?
E eu, amor, como serei em ti?
Serei o que deixei? Serei a paisagem,
A sombra, o vento?
O pôr do sol, a alvorada?
O que os amantes que seremos
Irão conter de nós?
Como nós dois,
Em todos os próximos instantes de íntima entrega
Seremos sentidos, vistos, entendidos,
O que em fim inspiraremos,
Despertaremos e provocaremos
Mutuamente?
Aqui estou. Sou teu.
Faça-me para ti, amor, do teu jeito.
Seja minha como te compreendo
Porque te aperto em meus braços para ainda sonhar.

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