Sempre encontro em meu caminho um arbusto onde crescem pequenas flores azuis. Não florescem em grande número nem são duradouras, por isso são para mim frágeis e valiosas. Não sei o seu nome. Aliás, diga-se de passagem, não saber o nome das flores é algo que preciso corrigir.
Vejo-as praticamente todas as manhãs, foram realmente raras as manhãs em que não passei por elas. Minha disposição para o belo, para o simples mas ainda assim encantador, é medida todas as manhãs por esse encontro. Preciso ser grato por conseguir percebê-las às margens do caminho, o que poderia não ser possível se levasse a alma embrutecida por aborrecimentos. Quando uma natureza pequenina, delicada e bela consegue cativar nossa atenção, é um presente e é preciso, sim, ser grato.
Mas o bem que essa visão me faz anda de braços dados com um lamento. Acontece que quero colher essas flores, quero que sejam suas, seu presente no início de cada manhã. Não são grandes o suficiente para formar um ramalhete, cabem apenas na palma da mão. O meu desejo é tocar em sua mão e te entregar uma pequena flor azul. Mas não te encontro.
Imagino se ao menos devido a minha intenção, ao meu sentimento, você pudesse sentir nessas manhãs todo o bem que te desejo. Imagino se posso ter a esperança de que se transformem em um pequeno foco de carinho dentro do seu peito as flores que deixo de colher pelo caminho.
Colhe-a, por indulgência comigo, caso encontre alguma dessas flores. São essas que te ofereço nas manhãs. Que você possa apreciá-las e sentir-se bem, tão bem quanto te deseja o meu coração.

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