Sou dono de ti porque te invento.
És minha e és como eu quero.
Enquanto não ganhas asas
E não alcanças os céus com que apenas sonhas,
Enquanto o vento não te eleva às alturas que só teu coração alcança,
Enquanto ainda tens que despertar
dos mais miraculosos e arrebatadores devaneios,
Enquanto nada disso muda
És minha.
És minha doce,
És minha companheira
E abstraído em ti conjugo verbos hedonistas.
És quem sugo,
Como a sugar o orvalho das orquídeas,
E extraio de ti as palavras e os sentidos que descrevem outros mundos.
Tateio tua pele,
Deslizo por ti com curiosidade mística.
Busco em ti,
Cheio de esperança,
Como a buscar segredos entre as estrelas,
Como a perscrutar nebulosas,
Como a desvendar hermetismos.
E surpreendentemente há sempre perfume em ti,
Em ti que é meu cosmos.
Porque eu te possuo.
És minha,
Minha fantasia linda que ainda em meu colo, às vezes, adormece.
Minha musa, cujo íntimo ainda não se abriu para a noite,
Minha paixão,
Meu portal,
Minha hipnose,
Punhal com que entalho o amor em minha carne,
Que gera um espasmo e me perfura
E tinje minha alma de escarlate.
Nenhum comentário:
Postar um comentário