Mirei o rosto dela
Bem próximo ao meu.
A mecha de cabelos, caprichosa,
Movi-a com um gesto delicado.
Seus olhos eram luzes cabisbaixas,
Tímidas e dóceis, inseguras,
E úmidos brilhavam de esperança.
Toquei seu belo queixo esculpido.
Pedi o seu olhar, seu claro olhar.
Seus lábios eram carne ansiosa.
E ela me olhando viu um homem
Mas eu, de alma plena em reverência,
Vi nela um anjo prestes a cair.
"Não tenho santidade para ti.
Embora sejam alvas, sejam puras
As minhas mal contidas intenções,
O meu regalo não é inocente.
Violarei a porta do sacrário
Em busca de relíquias divinas?
Afasto-me de ti e da ventura
De ter nos meus os lábios feiticeiros
Que me dariam vida e amor,
Que mostrariam mundos fascinantes."
Mirei-a novamente
Bem próxima a mim.
Jurei que o desenho do seu rosto
Eu nunca, nunca mais esqueceria.
Gravei as cores brandas e suaves
Que tão lindo tornavam seu semblante.
Observei atentamente a brisa
Brincando com os seus cabelos longos.
Guardei o seu olhar dentro do peito.
Guardei o gosto puro dos seus lábios
Que nunca chegarei a conhecer.
Fechei os olhos e então virei-me
De volta ao meu mundo tão fantástico,
Tão amplo e tão íntimo, porém
Um mundo sem a graça do seu toque.
Nenhum comentário:
Postar um comentário