quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Buscando longe um amor antigo

Meu coração, por que prefere assim?
As excursões por mares tão profundos,
Misteriosas águas de outros mundos
Desabitados cá dentro de mim...
 
Nessa angústia sem razão, sem fim,
Ornamentando sonhos infecundos
E ilusões que secam em segundos
Em suas frágeis névoas de cetim...


Buscando longe um amor antigo,
Aquele antigo olhar, aquele abrigo
Cujo caminho já não sabe achar...

Meu coração, que busca vã sem glória.
O grande amor é uma velha história
Que a mentira gosta de contar.





2 comentários:

  1. Maravilhoso! Parabéns ao autor. Lembrou-me deste:

    O navegante

    Escrevo para ninguém.
    Minhas palavras são como pegadas na areia
    Que o mar lambe e leva para as profundezas
    Mudas, silenciosas.

    Não sei há quanto tempo
    É mais do que a memória pode alcançar.
    Sou navegante das águas da saudade
    De algo, de um amor, de um alguém.

    Para que escrever cartas sem destino?
    Meus corredores continuam vazios.
    Sou um, sou dois, centenas
    Mas continuo sem ninguém.

    Meus olhos são estradas de solidão
    Ninguém se atreve a atravessar
    O olhar que busco não pode me alcançar
    A lua testemunha minha dor.

    A angústia é só imaginação
    E lamenta frustrações como eu.
    Lágrimas não caem mais. Não há quem chore por mim.
    A brisa entra pela janela. Está tudo em paz.

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