Quando o amor nasce, a sua doce promessa, mansa e sussurrada, vem ao nosso rosto, como carícia:
Eu não vou doer
E quem está pela rua deixa de repente de perceber o tumulto. A chuva tépida agora pode até molhar mais o rosto, os cabelos, os ombros. É feliz quem se molhe por inteiro. Ou o azul celeste já se pode ver, regendo nuvens agora puras. O ar fuliginoso da cidade não é mais tão nocivo aos olhos do corpo nem aos olhos dos sonhos.
Em casa, sente os lençóis da cama mais leves e limpos. Há agora imagens diáfanas no quarto, impressionantes e queridas, que jamais se viram. Deixam de ser impessoais as paredes ao redor.
E a lua revela algumas coisas conhecidas até então apenas por estrelas que algum dia já foram homens.
Em casa, sente os lençóis da cama mais leves e limpos. Há agora imagens diáfanas no quarto, impressionantes e queridas, que jamais se viram. Deixam de ser impessoais as paredes ao redor.
E a lua revela algumas coisas conhecidas até então apenas por estrelas que algum dia já foram homens.
Mas os melhores momentos vão deixando de prevalecer. Surgem os momentos não tão bons, saindo por trás dos móveis. E, um dia, o amor dói.
O amor dói. Fere o rosto que uma vez acariciou, vai rasgando alma à dentro. E não há palavra amiga que faça com que coração e dor voltem a ser coisas distintas e distantes novamente.
Mas o bálsamo, ainda que demore, vem. Algum dia, de alguma forma, o bálsamo dissolve toda a realidade e voltamos novamente a sonhar.
E mesmo que possa ser um adormecer dessa vez não tão profundo, com sonhos dessa vez não tão ingênuos, é um hábito que o amor volta a vestir para de novo nos beijar o rosto docemente.
E mesmo que possa ser um adormecer dessa vez não tão profundo, com sonhos dessa vez não tão ingênuos, é um hábito que o amor volta a vestir para de novo nos beijar o rosto docemente.
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