Amor
A viagem para fora desses sonhos é inevitável e será árdua, sem dúvida. Tenho muito o que deixar aqui e algumas tarefas ainda não terminei. Ainda não sei distinguir perfeitamente tudo o que vejo ao mirar teus olhos. Não conheço ainda tudo o que é possível conhecer permeando sua pele (por que não me entrego, amor? Por que não me perco?). Ainda não sei bem como tocar seus lábios com os meus, ou com a ponta dos dedos, de forma especialmente suave. Não descobri a pressão exata que devo usar para combinar meus abraços com sua delicadeza, nem entendo bem os outros significados que a vida assume a partir desses gestos. Devo ir, e ainda sem saber amar direito.
Volto para os dias de verdadeiro sol, de verdadeiro suor e sangue, que me aguardam como lobos. É isso que a realidade é: terra rochosa de lobos. Não levo comigo sequer um pedaço de nossas nuvens, dessa paisagem que amamos, sequer um retrato. Deixo-te aqui e levo saudade, amor. E o medo de não ter fôlego suficiente para mais essa escalada sem sentido, quando o que mais desejamos é caminhar juntos.
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