segunda-feira, 14 de julho de 2014

É bonito lembrar como o outono veio e recostou a cabeça no peito dela. Ela sempre morreu de amores por ele. As fotos que ela guardou são lindas e há também algumas cartas, escritas em folhas de álamo, que ela relê às vezes, quando consegue ficar sozinha.
Agora a ausência desse outono deixa sombras muito frias e eu percebo no rosto dela a falta que ele faz, percebo a saudade. Encontro-a com  o olhar um pouco pendido às vezes, sua figura suspirando num lamento silencioso, mas que logo se desfaz. Quando ela descobre minha atenção logo se recompõe, logo volta a se recobrir com a aura maravilhosa, pela qual sou fascinado, e a sorrir, um sorriso mágico, embora nunca seja para mim.
Eu gostaria muito de ter um tempo com ela, ouvi-la falar sobre o outono. Adoraria saber o que fazem, como são suas manhãs, suas tardes, conhecer as cores que usam, seus assuntos, seus tecidos. Espero que algum pássaro gentil possa lhe transmitir esse meu desejo.





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