sábado, 26 de julho de 2014

Já palmilhei a escuridão sozinho, no silêncio,
Rodeado de más promessas e pobre de esperanças.
E ainda hoje tenho medo de fechar os olhos,
De me deparar novamente com o negrume
E não conseguir mais enxergar o caminho de volta.

Ainda tenho medo, mas hoje o motivo é outro.
Na escuridão há um socorro,
Há uma mulher que me pega pela mão
E me tira do cotidiano, me tira do chão
Leu seu nome na palma da minha mão
Caminhou ao meu lado (era primavera, lembro bem)
E quando lhe peço para não me soltar
Ela gentilmente fica comigo

Transformei a solidão num caminho leve
E vou por ele como quem passeia na manhã de domingo
Sem pressa, sem apego com o dia
E se fecho os olhos ela surge iluminada,
Me oferece sua mão e ficamos em companhia um do outro
Palavras não são necessárias
Nem gestos nem intenções
Apenas sentir
E saber que o coração dela está batendo em sintonia doce com a vida
E que reconhece o meu

Abro os olhos.
Tenho mesmo que abri-los
Porque tenho medo de ser dela para sempre





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